quarta-feira, 21 de maio de 2014

Um amor para cada signo - Parte II

Noélia era uma mulher diferente, a única que conseguia me deixar contente.
Inteligente e sagaz, com ela sempre me sentia um pobre rapaz.
Jogava comigo com palavras, me deixava no chão, 
e quando menos esperava, Noélia voltava jurando paixão. 
Organizada e carente, para não bagunçar a cama, era no sofá que nós rolávamos assiduamente. 
Houve a vez que deixei a toalha molhada no colchão,  fui obrigado a ouvir um festival de palavrão.
Com esta, parti sorrindo, ela era de virgem, e eu apenas segui meu destino. 
Forte e destemida, deixei que Noélia fosse apenas um passado na minha vida.



Por um tempo fui amante de Catarina, como era incrível aquela menina.
De hora em hora queria sair, mesmo se não tinha pr'onde ir. 
Dizia que seu marido não a amava, e era por isso que Catarina me procurava.
Gostava do cheiro de seus cabelos, era isso que me tomava por inteiro.
Em um final de semana fomos para a praia, no outros planejávamos férias no Himalaia.
Nunca conseguimos nos amar, pois sabíamos que não iria durar.
Minha eterna aquariana, até o dia em que seu marido nos pegou na cama.
Um tiro ele deu em sua cabeça, e por Deus, antes que Catarina enlouqueça, 
sai correndo pela porta da frente, sem sequer pensar em deixar remetente. 



Geórgia gostava de ler, foi na livraria que conseguimos nos conhecer.
Era bem mais nova, não nego, mas em questão de maturidade, me deixava no chinelo.
Tímida e calada, não conseguia decidir quase nada. 
Quando fazia propostas de sair, nunca sabia se realmente queria ir.
Contudo, quando estava em sua companhia, de tão linda, era de orgulho que me enchia.
Sua indecisão me irritava, e era paciência que me faltava.
Era de peixes, mas vivia no ar, mal sei como passou na faculdade em primeiro lugar.
Foi morar fora e me largou na sarjeta, e lá se foi outro amor perdido na gaveta.



Já Gabriela era de veneta, jamais soube o que se passava em sua cabeça. 
Em um dia queria me amar no mar, no outro estava prestes a me matar.
Me contava de todos seus relacionamentos, sem saber se iria magoar os meus sentimentos.
Excelente de sexo e prosa, para ela sempre levava meu melhor abraço e rosas.
Queria ser do mundo, e não parava de sonhar alto por um segundo.
Nossas brigas e discussões sempre foram sem sentido, sentia que para ela, talvez eu fosse um amigo.
Me largou sem deixar cartas, telefonemas ou bilhetes na geladeira, até achei que fosse brincadeira.
Era de gêmeos e nunca sequer conheci o seu outro lado, quem sabe foi isso que me deixou tão revoltado.



Louise foi a minha última ilusão,
não achava que poderia existir alguém tão pé no chão.
Na frente dos seus pais não podia beijar,
dentro do meu carro só faltava me sufocar.
Conversava o dia todo sobre os vizinhos,
e se precisasse sair, não poderia ir sozinho.
Dizia que iria me curar dos antigos amores, e se precisasse, sentiria minhas dores.
Não gostava de se aventurar, e era isso o que me fez repensar.
Um dia peguei minhas coisas e fui-me embora, achei que havia chegado a hora.
Não poderia ficar com alguém tão pacato e sensível, meus antigos amores me fizeram um ser desprezível. 
Sabia que não se podia fazer sofrer uma taurina, mas não conseguia viver em um mundo sem adrenalina. 



Quando me apareceu Manoela, estava sentado na praça alimentando os pombos, sem poesia alguma, sem ninguém ao meu encontro.
Contou-me que tinha cinco passarinhos, e estava pensando em adotar outro canarinho.
Fomos morar juntos após três anos de relacionamento, 
meus cabelos brancos começaram a aparecer neste momento.
Pensava demais, sobre tudo, sobre todos. Não conseguia responder uma pergunta na mesma hora: "Preciso refletir." Quase sentia que estava me dando um fora.
Com ela não havia problema, foi com Manoela que vivi minha história de amor de cinema.
Em fim posso parar de falar no passado, pois é com uma sagitariana, que nunca mais senti meu coração amargurado. 

terça-feira, 25 de março de 2014

Um amor para cada signo

Quando conheci Amélia não imaginava que seria assim.
Tirou tudo que tinha, me sugou até o fim.
Me provocava no bar, e em cada esquina.
Se sexo fosse um crime, com certeza ela seria uma assassina.
Não gostava de conversar, só de fazer amor, na cama era divino,
mas sua fidelidade um horror.
Se julgava apaixonada, para mim não faltava mais nada.
Até o dia em que num barco subiu Sebastião, e Amélia foi atrás de sua grande paixão.
Não me importei com as ferroadas, afinal, de escorpião não se espera mesmo nada.



Em seguida namorei Rita, meu Deus, como era bonita.
Escrevia poesias na luz do luar, sonhava até em se casar.
Me apresentou para seus pais e me contou seus desejos mais banais.
Quase nunca mudava de ideia, comecei a delirar que iria pedir a mão dela.
Foi então que para o trabalho precisei viajar, e Rita se pôs a chorar. 
Mimada que só ela, bateu o pé no chão e gritou: 
"Pois pode ir, mas também vou."
Com capricórnio não dá para se discutir, 
arrumei as malas e me forcei a partir.
Pena que Rita não pôde ir.



Um ano depois encontrei minha ex, Raquel, e já fomos direto para o motel.
Conversamos durante toda a madrugada,
comecei a pensar que ela poderia ter sido a pessoa certa na hora errada.
Seu beijo me engolia, seu olhar me rendia e já estava pronto para
pedir que em sua vida, eu lhe fizesse companhia.
Semana depois, em um jantar para dois,
Raquel me viu olhar para a mesa ao lado, e disparou a berrar
que eu era um safado.
Mudado não havia nada, continuava sempre irritada, sentimental e impulsiva.
Deveria ter imaginado, nessa vida, com uma pessoa de áries 
não se deve criar expectativa.



Meu relacionamento com Olivia se iniciou na Bolívia.
Viajamos o país inteiro, ela jurava que eu era o seu primeiro.
Sempre alegre e feliz, um pouco brava, mas sabia o que diz.
Conversava sobre diversos assuntos, e pensamos até em morar juntos.
Engano o meu.
Um dia Olivia apareceu, estava tão confusa que até confusão me deu. 
Contou que não sabia o que faria, mas de manhã estava indo morar na Bahia.
Tinha a alma em libra, e sempre foi de ter mistérios. 
Depois de uma libriana, a gente costuma aumentar o critério. 



Houve o dia em que não havia mais nenhuma mulher em minha cama, logo mais conheci Ana.
Quase não falava de si, era um orgulho que nunca vi.
Se irritava com tudo, gritava e esperneava, com essa pensei: Jamais que eu casava.
Ana era animada, ia para festas e lá que se sentia amada.
Sabia que não era o seu primeiro, tampouco o terceiro, mas por um tempo foi ela que me fez inteiro.
Sensível que ninguém entende, não foi por muito tempo que fiquei contente.
Como é cruel a personalidade de câncer, estando bem ou mal, 
elas só querem mesmo é romance.



Me surgiu então Helena, com ela não havia nenhum problema.
Sempre jovem e sorridente, dizia que era eu o seu melhor pretendente.
Do sexo nunca reclamei, me trazia presentes e me tratava como um rei.
Sempre engraçada e disposta, meus amigos tinham até medo de que um dia, ela me desse as costas.
Três anos depois descobri: Helena era casada e durante todo esse tempo conseguiu encobrir.
Nem sequer sabia que Helena sabia mentir.
Leonina que dava dó, não conseguia ficar só.
Um belo dia desapareceu, e quem ficou só, foi eu.

terça-feira, 18 de fevereiro de 2014

Aluga-me



Tem quem diga que sou só mais uma casa abandonada no bairro desta cidade com pessoas desertas. Quem sabe essas vozes dizem a verdade, talvez a verdade não exista por aqui.

Fui construída anos atrás, por um senhor de barba branca e olhos cor de mel.  Quando ele capinou o último canteiro de terra fiquei triste em saber que nunca mais o veria. O ser humano tem dessas coisas: constroem mas não querem morar. Com o passar do tempo muita gente vivia dentro de mim, mas todas iam embora. Descobri que não era eu o problema: pessoas sempre querem partir.

Passei a não me importar se eu seria uma casa bonita, com um grande jardim e flores na varanda. Quando alguém queria me visitar para comprar, não deixava mais minhas janelas abertas e a grama verde, só um ou dois gatos deitados no tapete da entrada. Algumas crianças jogavam pedras nos vidros, lixo no quintal e seus pais não se importavam, afinal, ninguém mora ali.

O único momento em que sorria era pelas manhãs. Os pássaros repousavam sob meu telhado e cantavam até sentirem fome. Algumas vezes eles ficavam até felizes pelos insetos que encontravam nas telhas. Com os pássaros eu podia ser quem era. Quando iam embora, gostava de me divertir olhando as pessoas indo para suas casas almoçar. Sentia falta do cheiro da comida fresca entrando pela minha madeira da entrada frontal. Tem quem não saiba, mas as casas se alimentam do cheiro e se esquentam do fogo das lareiras.

As casas novas, e isso era fácil de se notar, possuíam uma leveza por saber que todos desejavam viver nelas. Quando uma casa é construída não sabe nada sobre móveis, decoração, ou o que é alguém chegar cansado do trabalho e simplesmente se sentir no melhor lugar do mundo.

A tristeza que carrego é por saber que pouca gente nota que também possuo uma leveza particular, onde o sol bate e a lua reflete na vidraça do quarto. Já enfrentei muita briga onde nem sempre a mala continua no armário e o cheiro de roupa guardada é trocado pelo meu piso úmido de lágrimas. Só que já vi um sorriso quando a mala volta pro lugar e um abraço mostra ser mais forte do que gritos espalhados pelos meus corredores.

Ninguém quer ser ou morar em uma casa abandonada. Tristeza assusta a metade das pessoas que conheço. Algumas tem medo de ratos, outras suspeitam de fantasmas, umas dizem não saber lidar com mofo. A verdade é que ninguém mais sabe lidar com situações e ambientes fora de sua zona de conforto, onde precisam ser o que não são e fingirem ser felizes com isso.

Posso até ser uma casa velha e antiquada, mas até um senhor de barba branca e vestes rasgadas pode me deixar reformada e feliz.

Mas e as pessoas, o que faço com elas?


terça-feira, 30 de julho de 2013

O astronauta



Se eu fosse um astronauta, iria de planeta em planeta te buscar. Deve ter algum mapa do satélite onde se escondeu, ou do coração novo em que foi morar. Veja minha casa, está repleta da ninhada de gatos e passarinhos mortos que deixou. Das garrafas esparramadas no chão e cinzas de cigarro na janela. Será que em algum momento bêbado te mandei ir embora? Meu lençol está desarrumado e nem sequer dormi em minha cama. Amanheci sozinho no tapete da sala e sem nenhuma risada por perto. Sua risada me acalmava, mesmo quando era servida de um xingamento. Volta, me xinga. Me solta um tapa na cara e diz que não tá nesse mundo pra servir mais um idiota. Aliás, não tá pra servir ninguém.

Mostra que sua nave tá pronta pra embarcar em outra. Diz que viveu anos luz longe daqui e viveria mais cinquenta vidas sem ter me conhecido.  Não precisa me conhecer, só fica por perto. Nunca me conheceu muito bem mesmo, até quando te mandava ir embora, você ia. Era pra ficar. Sempre foi pra ficar. Só que agora não vejo mais seu sutiã largado em meu sofá e o relógio na pia da cozinha. Sinto sua falta, e binóculo nenhum consegue enxergar além das nuvens, e você tá muito além disso.

Vem, discute comigo. Me manda calar a boca e parar de dizer coisas que não vão chegar em lugar nenhum, só te fazer afastar mais. Diz que tem uma corda segurando minhas costas e em qualquer momento você vai puxa-la e me fazer dizer as mesmas frases automáticas de sempre: Sinto sua falta, você é linda e me desculpa.

Para de ativar esse disco voador que só te faz rodar e cair em um quintal qualquer. Onde só vai encontrar mais um ponto de partida. Para de partir. Para de querer ir embora de tudo que não conhece. Ir embora de mim.

Me diz que não preciso ser um astronauta pra conseguir ir atrás de você e imaginar que talvez, precise sair do meu mundo, pra quem sabe, te alcançar.

Me diz qualquer coisa, só não deixa o silêncio achar que essa é a última despedida.

sexta-feira, 12 de julho de 2013

E agora?



Vamos lá. São só alguns passos do elevador até o supermercado. Nunca foi tão difícil fazer compras em uma cidade grande. Antes mesmo de abrir o portão para sair do prédio me deparo com pessoas cuspindo nas ruas, carros buzinando e cachorros lambendo o lixo. Coisas que antes não precisava enxergar, pois o caminho era mais  fácil quando tinha alguém para amenizar a sujeira do mundo.

Preciso de algo para pensar enquanto sigo o nosso caminho no chão. Vou programando a lista de compras como  se não tivesse anotado no papel amassado no bolso. Por um instante me arrependo de não ter ido pela outra rua, o caminho seria mais longo, mas pelo menos não teria de me distrair.

Lembro que o cigarro está no bolso e paro aliviado procurando o isqueiro. Qualquer solidão é menor com um cigarro nas mãos. Acendo e olho pro céu como um agradecimento por não ter que ir tão sozinho pela avenida. O cigarro mata, mas também alivia. Passo pelo pit dog que sempre toca música aos sábados. Hoje é sábado. Sinto que a música faz parte de uma trilha sonora onde minha vida é a protagonista. A música era alegre demais, apresso meus passos para não lembrar que este mesmo percurso também já foi mais feliz.

Percebo uma menina atravessando a praça. Seus olhos sorriem e por um instante penso em pedir alguma informação mentirosa e treinar meu jeito de ser sociável novamente com mulheres. Começo a andar mais devagar, no mesmo instante em que o telefone da menina toca e um sorriso em seus lábios se abre. O jeito é apressar os passos. Talvez ela tenha namorado. - pensei -  Ninguém nesse mundo é sozinho.

O supermercado está na outra esquina. Suspiro aliviado que tenha sobrevivido a minha primeira ida ao supermercado sem desabar em lágrimas. Entro e já não sei mais o que fazer. Quando íamos sempre procurávamos primeiro as bebidas, e depois a janta do final de semana inteiro. Percebo um atendente carregando laranjas em um carrinho e quase penso em pedir ajuda.

"- O que eu faço, cara?"

Talvez um supermercado não seja um bom lugar para um homem solteiro.

Retiro a lista do bolso e pego um carrinho qualquer jogado pelos cantos. Passo pela geleia de vinte e três reais que ela adorava comer com torradas pela manhã.

- Geleia italiana é a única coisa que me faz sorrir quando acordo.

É o que ela dizia. Para mim tinha mais gosto de morangos mofados misturado com gelatina. Coloco a geleia no carrinho e saio em busca das torradas. Nunca sabemos quando alguém vai voltar. O carrinho está cheio e só falta comprar algo para beber. Outro suspiro fundo.

Vinho. Ela adorava vinho tinto suave. Seco, jamais. Passávamos horas discutindo qual o melhor vinho e sempre levávamos o mesmo. Será que nossa rotina que a fez enjoar? Peguei o mesmo vinho de sempre e um pouco de comida japonesa do quiosque. Hora de ir embora. Alguma hora a gente tem que ir embora.

Paguei a conta com meu cartão de crédito, recolhi as sacolas e me senti mal por não ter ido de carro.

E agora, como irei acender outro cigarro?





terça-feira, 9 de julho de 2013

Tudo que convém

Um dia vou dominar o mundo.

Sou um rapaz controlador, diria minha psicologa. Sou uma pessoa que sabe o que quer, diria minha mãe. Na verdade sou apenas alguém precisando de um bom motivo para não estar mais aqui. Tenho um sorriso preferido que gosto de ver todas as manhãs, mas não sei quais são os dias em que vou vê-lo. Gosto de ficar sozinho todas os domingos à tarde, mas não sei qual domingo vou precisar de companhia. O mundo é tão incerto e enquanto não o manuseio conforme gostaria, vou seguindo seu ritmo. Pacato, lento, frustrante. 

Já me apaixonei e descobri que paixão não é tão bom quanto chocolate derretido no céu da boca, mas já troquei muitos dias de filmes e chocolates para estar ali, apaixonado. Conforme vamos crescendo percebemos que a vida é isso mesmo, não existe mágica, contos de fadas e duendes carregando potes de ouro pelo jardim. A vida é isso mesmo, trocamos o que mais gostamos, pelo o que mais queremos... E a gente nunca sabe realmente o que quer.

Aos oito anos meu maior medo era não gostar de desenhos para sempre, aos vinte percebi que medo é bobagem, e sempre trocava de canal na hora do jornal. Com quinze pensei que algumas pessoas eram pra sempre e não me preocupei com a mudança das coisas, e aos trinta já não lembrava mais quais eram meus sonhos.

Hoje vejo desenhos sozinho e assisto jornal só para saber por onde devo andar.


Tudo o que não vou te dizer




Tá bom, vai. Não foi tão legal assim. A gente nem dava tanto certo pra achar que era algo especial. Tudo bem, sentia sua falta todos as quartas e queria te ver todas as sextas, mas sempre precisava esperar algum momento mágico que te fizesse enxergar que eu tava aqui, sempre aqui.

Não me olha com essa cara. Aliás, para de olhar para baixo e presta atenção em mim um pouco. Vê se pela primeira vez me enxerga direito e não pensa que sou apenas um rapaz que se contradiz à todo momento. Não me manda sumir como se fosse adiantar. Sempre achei que sumir fosse uma boa solução, mas pra mim nunca adiantou, pra você já? 

Não fica com dó de me magoar. Continua balançando a chave do carro entre os dedos como quem pede para sair. Sai logo, vai embora. Joga na minha cara que vivo em um mundo imaginário, que escrevo coisas que não existem, e dá um sorriso de canto como quem diz "Já passei por muita coisa na vida, e não preciso suportar isso."

Vai, me deixa aqui nesse meu mundo imaginário onde sei que você vai voltar e dizer que só tava com sono, e por isso perdeu a paciência. Me dá um sermão dizendo que preciso parar de ser de todo mundo, e diz que por mais que odiasse, você sente falta do meu abraço.

Anda de mãos dadas com outro na rua, mas não me deixa te ver só do outro lado. Vai, não fica com dó. Me deixa andar do lado de vocês e segurar sua mochila enquanto te vejo abraçar ele apertado. Diz que tá com fome e me pede pra te levar comida na sua casa enquanto você assiste seu filme preferido com ele. Diz que acordou sem vontade de viver, e me chama pra ir te ver, te levo sua comida preferida e um sorriso pelas metades.

Não me deixa aqui jogado, com os lábios tremendo querendo segurar o choro. Sei que sou um rapaz todo errado, mas não me deixa te observar indo embora. Para de me ignorar, diz que sou um idiota e que você encontrou um amor pra sua vida, mas que não quer me ver indo embora dela.

Some de mim não, vou sumindo aos poucos junto. Me dá a mão e diz que isso é um pesadelo, me segura e vai pro meu mundo imaginário comigo.

Só não me deixa pensar que tudo não passou de imaginação e que a gente, na realidade,  nem dava tão certo assim.